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Coagitando | Devocional Bíblico Temático - Reflexões e cogitações sobre a Palavra de Deus
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02 junho 2023

Fogo do céu

"E os discípulos Tiago e João, vendo isso, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?" - Lucas 9:54.

Esta curiosa passagem surge no contexto da viagem de Jesus rumo a Jerusalém. O Senhor enviou mensageiros para prepararam pousada numa aldeia de samaritanos. Como os samaritanos odiavam os judeus e não queriam que se adorasse no templo em Jerusalém, disseram que não recebiam Jesus. Quando Tiago e João ouviram esta recusa, perguntaram a Jesus se ele queria que eles orassem para que descesse fogo do céu para os destruir, à semelhança do que Elias tinha feito (2Rs 1:9-15). A pergunta revela o carácter odioso e vingativo que alguns crentes evidenciam com aqueles que se opõem a eles.

A resposta de Jesus é esclarecedora: "Vós não sabeis de que espírito sois, porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las." (Lc 9:56). Jesus veio a este mundo para salvar e abençoar as vidas, não para destruí-las. Devemos amar as pessoas que discordam de nós. Testemunhemos do amor de Jesus e da sua grande salvação. Oremos, não por fogo destruidor, mas pelo fogo do Espírito que queima os nossos ódios e nos faz arder de paixão pelas almas perdidas.

14 setembro 2021

O amor de Deus

"Nisto se manifestou o amor de Deus para connosco: que Deus enviou seu Filho unigénito ao mundo, para que por ele vivamos." - 1João 4:9.

O amor de Deus não é algo teórico, romântico ou apenas emocional, Deus ama-nos de forma concreta e efectiva. A manifestação, ou a concretização desse seu amor real, teve a sua expressão máxima no dia em que Deus enviou o seu Filho singularmente único a este mundo. O propósito desta vinda foi Jesus morrer sacrificialmente por amor e para nos salvar. Quem aceita este amor divino, morre em Cristo, é transformado e começa a viver uma vida nova.

O amor maior deu a melhor vida para nela vivermos. Assim como Deus Pai enviou Jesus, Ele enviou-nos a nós também (João 20:21). Viver e compartilhar o amor de Deus e a vida de Cristo deve ser agora o maior propósito da vida do cristão.

07 abril 2021

Retornar ao primeiro Amor

"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." - Apocalipse 2:4. 

Estas palavras foram escritas pelo Apóstolo João à igreja de Éfeso, na sequência da visão espiritual que teve na ilha de Patmos. Esta igreja era uma igreja activa, operante, paciente e sofredora, mas tinha um problema sério: tinha deixado "o primeiro amor". 

O primeiro amor é a grande marca de Deus na nossa vida. Entramos no relacionamento com Deus por amor e devemos andar nesse amor (Ef 5:2). Este amor transcende a realização individual, é dependente e cooperante. O nosso activismo, o egoísmo, o comodismo e muitos outros "ismos", afastam-nos do amor de Deus. As actividades de uma igreja nem sempre são fruto do amor. 

Na sua misericórdia, Deus diz-nos para recordarmos o quanto Ele nos ama e para voltarmos ao amor das primeiras obras, "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras." (Ap 2:5). Recorda aquilo que te tem afastado do maior amor; arrepende-te disso e retorna ao amor primordial de Deus.

17 janeiro 2019

Perto do Senhor

"O princípio da palavra do Senhor por Oseias; disse, pois, o Senhor a Oseias: Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor." (Oseias 1:2).

Oséias viveu nos últimos dias do Reino do Norte, antes de serem atacados pelos Assírios em 722 a.C.. O nome "Oseias" significa "salvação". Ele foi o profeta que Deus levantou para condenar os pecados do povo e levar-lhes a mensagem de esperança, perdão e amor.

O casamento de Oseias com Gomer representa a relação de Deus com Israel. A adúltera Gomer, retrata o Israel pecaminoso que se tinha desviado do Senhor e da sua santa vontade. O povo tinha-se ligado a nações estrangeiras corrompendo-se sexualmente e espiritualmente (Os 4:10-18).

Sempre que nos desviamos do Senhor, pecamos. Quem escolhe andar longe da vontade de Deus vai ter consequências penosas na sua vida. Oseias é um alerta profético para nos arrependermos e voltarmos para perto do Senhor. Sejamos como o Apóstolo João que ficou conhecido como aquele que se recostava sobre o peito de Jesus (João 21:20).

11 setembro 2018

Sobretudo, o amor

"E, sobretudo, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição." (Colossenses 3:14).

Estas palavras surgem como uma súmula, da espécie de listagem de comportamentos que o crente em Jesus deve ter, descrita anteriormente neste capítulo, seja no relacionamento com o seu próximo, com os seus irmãos e consigo próprio. Um querido líder do passado costumava dizer que o sobretudo é a última peça de vestuário que colocamos por cima de todas as outras e ele protege o corpo todo. O amor é o elo perfeito nos relacionamentos. O amor é a força capaz de nos unir e fortalecer no caminho da perfeição. Mas precisamos revestir-nos todos os dias deste amor prático, que se manifesta em atitudes de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, perdão e compaixão (Cl 3:12,13).

Acima de tudo devemos amar a Deus e amar as pessoas. Se estivermos bem vestidos com as vestes amorosas deste amor real, as pessoas à nossa volta provavelmente render-se ao perfeito amor de Deus.

06 agosto 2018

Misericórdias novas em cada dia

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele." (Lamentações de Jeremias 3:22-24).

A misericórdia de Deus é plural. É muito bom saber que Deus não usa de misericórdia apenas uma só vez connosco, mas que as suas misericórdias são constantes e inesgotáveis. As misericórdias de Deus renovam-se a cada dia, porque cada dia precisamos delas. Todos os dias Deus demonstra que nos ama, que cuida de nós e está disponível em perdoar as nossas falhas. Grande é o amor e a fidelidade do Senhor.

Talvez Lamentações seja um dos livros mais tristes na Bíblia, mas quando Jeremias meditou nas misericórdias do Senhor, a alegria e a esperança brilharam no seu coração. Continuamos todos os dias a confiar e a esperar em Deus porque as suas misericórdias renovam-se a cada manhã. Elas são a causa de não sermos destruídos.

25 julho 2018

Eu sou do meu amado

"Leva-me tu, correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recâmaras. Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os rectos te amam." (Cantares 1:4)

O livro Cântico dos Cânticos, também chamado de Cantares de Salomão, é um magnífico poema de amor entre Salomão e a Sulamita (provavelmente a filha de Faraó, que mais tarde se tornaria esposa de Salomão). O casamento dentro do plano de Deus é algo maravilhoso. O amor espiritual, emocional e físico encontra a sua plenitude no contexto do matrimónio, entre duas pessoas que se amam e que amam Deus. A Sulamita sente o seu coração bater mais apressado pela presença do seu amado. Sem pretender forçar a comparação espiritual, este amor, a intimidade, o regozijo que brotam do relacionamento da Sulamita com o Rei Salomão, ilustram a relação do crente com o seu Amado, o Senhor Jesus Cristo. "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (1Jo 4:19).

05 abril 2018

A sabedoria do alto produz bons frutos

"Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia." Tiago 3:17

A diferença entre a sabedoria do alto e a sabedoria de baixo está no fruto que ela produz. A sabedoria de baixo causa estragos, a de cima espalha amor, misericórdia e paz. O bom trato da alma tratada por Deus nota-se. A sabedoria de Deus torna a vida pacífica, amável, compreensiva. A vida sábia não mostra favoritismos nem hipocrisias, antes é imparcial e sincera. Onde há inveja e ambição egoísta há confusão e males de todo tipo. A sabedoria do alto produz sempre bons frutos na terra. Precisamos da sabedoria divina como da água para a vida. A sabedoria é melhor que a melhor das inteligências humanas.

05 março 2018

Andando na luz e na verdade

Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigénito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. (João 3:18-21).

Sempre que escrevo aqui no Coagitando encontro algumas dificuldades. A primeira delas é na escolha da passagem bíblica. Qual a passagem a meditar? Qual a temática? Nos primeiros meses deste blogue de meditações bíblicas, quando não tenho uma passagem clara para escrever, leio o primeiro capitulo de um livro bíblico que ainda tenha meditado aqui. A seguir, encontro o dilema de escolher um versículo que se destaque. Nem sempre é fácil. É difícil escolher apenas um. Acredito que o contexto é fundamental à compreensão das verdades bíblicas. Um versículo por vezes não transmite o sentido geral da passagem.

Hoje li João 3. Tantos princípios que podemos extrair da conversa de Jesus com Nicodemos. É capaz de ser o capítulo da Bíblia mais pregado e exposto. Destacaram-se-me hoje quatro versículos. Jesus fala que devemos amar a luz e praticar a verdade. Não há dúvida que Jesus Cristo é essa luz e verdade (Jo 12:46; 14:6). Luz que ilumina a alma com verdade concludente. A luz que veio a este nosso mundo expõe as nossas falhas e os traços mais tenebrosos do nosso carácter. Quem ama a luz sabe que é pecador e que a luz veio, não só para nos mostrar a nossa podridão, mas para iluminar o caminho da vida. Aquele que crê na luz verdadeira fica verdadeiramente perdoado. Amar a luz é andar na verdade. Quem faz o mal odeia a luz e foge da verdade, porque teme que a sua maldade seja exposta. Quem faz bem, sabe que o faz porque Deus já o fez em Jesus e continua a fazer em nós.

13 fevereiro 2018

A jovem bonita que aqueceu o Rei

"Sendo, pois, o rei David já velho e entrado em dias, cobriam-no de vestes, porém não aquecia. Então, disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei, nosso senhor, uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele, e durma no seu seio, para que o rei, nosso senhor, aqueça." (1 Reis 1:1-2)

Estes primeiros versículos do livro de Reis são peculiares, fizeram-me sorrir. Na verdade, nunca ouvi ninguém pregar sobre eles e nunca li uma meditação sobre esta história. O Rei David, sendo velho, tinha muito frio. Resolveram cobri-lo com muitas vestes mas nem assim David aquecia. Então, os seus servos foram procurar uma moça virgem e bonita para aquecer o friorento Rei. Encontraram a bela sunamita Abisague que aceitou aquecer David. Levantam-se algumas questões: porque é que a sua esposa não o aquecia? Porque é que foi escolhida uma jovem sunamita? Não lemos se o plano resultou inteiramente, mas a Bíblia refere que o rei não teve relações sexuais com ela (v.4).

Sabe-se que este procedimento de aquecer os pés aos friorentos seria normal nos tempos antigos. Hoje o calor humano continua a ser muito importante e necessário. É verdade que a busca precipitada por aquecimento físico tem desgraçado muitas vidas, mas não há dúvida que o ser humano tem carências térmicas e afectivas. Nesta era de aquecimento global e ruído comunicacional, sofre-se de hipotermia relacional. Sofre-se de frieza física e de frieza emocional. O gelo da alma é o pior dos frios. É verdade que o calor humano pode aquecer o corpo, mas a presença do amor intenso de Deus conforta e abrasa a alma.

07 fevereiro 2018

Pequena grande Carta

"Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho." (2 João 8-9).

A segunda carta do apóstolo João é o livro mais pequeno da Bíblia, mas tem verdadeiros tesouros espirituais para a nossa vida. É uma carta pessoal, com aplicabilidade universal. A senhora eleita com os seus filhos (v.1) pode ser uma pessoa concreta, ou uma congregação. Alguns supõem ser uma irmã com posição relevante ou poderá simbolizar uma igreja local. Muitos pensam que esta carta é dirigida à Igreja em Éfeso.

A grande temática do amor é uma constante nos escritos joaninos. Esta segunda carta de João não foge à regra. O Apóstolo incentiva-nos a amar a verdade e a cumprir o mandamento do amor fraternal. A carta alerta para termos cuidado com os enganadores - aqueles que negam Cristo e a sua ressurreição corporal.

A doutrina da certeza da salvação está implícita no versículo 9. Quem não persevera até ao fim não será salvo (Mt 24:13) porque nunca esteve salvo. Só prevarica quem não persevera na doutrina de Cristo e só persevera na doutrina de Cristo quem tem em si Jesus Cristo. O verdadeiro crente tem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A presença divina no crente é o penhor da segurança eterna. A salvação é obra divina mas o galardão é para os que não se descuidam - e é tão fácil nos distrairmos. Os salvos precisam andar atentos e vigilantes (v.8).

João termina esta pequena grande Epístola dizendo que ainda tinha muito para escrever mas não quer fazê-lo por carta. O Apóstolo valorizava a palavra escrita, mas prefere tratar alguns assuntos pessoalmente, cara na cara. Num tempo em que se está a perder a comunicação real em detrimento da digital, a presença real e afectiva continua a ser melhor que os melhores livros, cartas, emails, blogues, redes sociais. Quem ama faz-se presente.

19 janeiro 2018

Amar os líderes

"E David lhe disse: Como não temeste tu estender a mão para matares o ungido do Senhor?" (2 Samuel 1:14).

Este é versículo está inserido no relato de um homem amalequita que escapou da batalha contra os filisteus e trouxe a notícia da morte do Rei Saul a David. Ao longo da sua vida, Saul sempre invejou, perseguiu e até tentou matar por diversas vezes David. Por estranho que pareça a alguns, David não ficou contente com a morte do seu inimigo Saul. Ficou tão triste, conturbado e indignado que mandou matar o arauto amalequita. Independentemente de todas as diferenças e falhas, David respeitava e amava o "ungido do Senhor". Como rei era líder da nação israelita e representante de Deus e da autoridade divina.

Umas das lições que retiro é que o amor a Deus e a submissão à sua autoridade deve estar acima das nossas razões e questões. Afinal de contas, se Deus nos ama tanto, sendo nós tão pecadores e maus, como não amar os ungidos do Senhor?

15 dezembro 2017

A conversão muda a nossa mundivisão

"Graças dou ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações, ouvindo o teu amor e a fé que tens para com o Senhor Jesus Cristo e para com todos os santos; para que a comunicação da tua fé seja eficaz, no conhecimento de todo o bem que em vós há, por Cristo Jesus. Tive grande gozo e consolação do teu amor, porque por ti, ó irmão, o coração dos santos foi reanimado." (Filemon 1:4-7)

Nesta pequena carta, quase um bilhete pessoal de Paulo, o apóstolo roga que Filemon receba Onésimo, um escravo que tinha fugido do seu senhor, mas que se tinha convertido a Cristo. Embora Paulo estivesse preso, não cessava de anunciar e pregar o Evangelho. Que grande exemplo para nós. Por mais difíceis que sejam as nossas circunstâncias, continuemos incessantemente a falar do amor de Deus e da salvação que há em Jesus Cristo. Paulo esperava que Filemon perdoasse e aceitasse novamente Onésimo, não como um escravo foragido, mas como um irmão em Cristo (v.16,17). Paulo contava que o amor e a fé que Filemon já tinha evidenciado anteriormente, também se manifestasse agora nesta questão. O amor e a fé em Deus são coisas práticas. Traduzem-se em perdão, reconciliação, restauração e encorajamento mútuo. A conversão a Deus tem que mudar a nossa mundivisão e a forma como nos relacionamos com as outras pessoas.

30 novembro 2017

Família resolvida

"Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso." (Rute 1:16-18).

O livro de Rute é uma história de amor familiar. A família é propósito de Deus. O contexto deste livro surge no período sombrio dos Juízes e da desobediência, inconstância e rebeldia dos israelitas. Quando Elimeleque e os seus dois filhos morreram, Noemi ficou sozinha com as suas noras, mulheres moabitas, Orfa e Rute. Orfa decide voltar para casa dos seus pais, mas Rute decide ficar com Noemi enquanto viajavam para Belém por causa da fome que assolava Moabe. A sua sogra ainda tentou dissuadi-la, mas Rute estava decidida a não desamparar a sua sogra. "Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso." O exemplo de abnegação, cuidado e amor que ressalta da atitude de Rute é admirável. Mais tarde, Rute conhece Boaz, um homem rico, e casa-se com ele. Têm um filho, Obede, que se torna avô de David, um ancestral de Jesus Cristo. O amor e o cuidado familiar sempre trazem bons frutos. O amor é sempre recompensado. Deus amplia a sua misericórdia aos misericordiosos.

20 novembro 2017

Saber falar, saber calar

"Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida." (1Timóteo 1:5).

Os cristãos evangélicos, ou protestantes, são conhecidos pelas suas muitas controvérsias e discussões. Muitas delas são efémeras e dispensáveis, mas outras são necessárias. O Apóstolo Paulo deu algumas instruções a Timóteo no sentido de advertir os crentes a guardarem o ensino doutrinário bom e a evitarem os assuntos e discussões inúteis, que não promovem a edificação da obra de Deus (v.4; 6). Não nos podemos calar no que concerne à defesa da fé e da doutrina bíblica, mas devemos aprender a calar-nos em questões insignificantes e não essenciais. Quem ama sabe quando deve falar e quando deve estar calado. O objectivo do mandamento primordial é que nos amemos uns aos outros, com um amor que brota de um coração puro, de uma consciência limpa e de uma fé verdadeira. Quem vive na fé autêntica de Cristo, ama o seu irmão e anda de boa consciência. Sabe falar, sabe calar.

14 novembro 2017

O Amor personificado

"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor." (1 Coríntios 13:13).

Este capítulo 13, que surge no meio da temática dos dons espirituais, desenvolvida nos capítulos 12 e 14, é um hino ao amor. O amor é paciente e bondoso, não é invejoso, nem orgulhoso, não é arrogante, nem grosseiro. O amor não exige. Não é irritadiço e dificilmente suspeita do mal que os outros nos possam fazer. O amor nunca fica satisfeito com a injustiça, mas alegra-­se com a verdade. O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias. O amor nunca falha (1 Coríntios 13:4-8). Este amor parece ser utópico e irrealista para nós vivermos. Num certo sentido, é impossível viver este amor sozinho. Este amor é vinculativo. Implica O outro. É divino. Jesus é este Amor personificado. Vive-se e partilha-se numa base de dependência e comunhão com Deus, por Jesus Cristo. Mais do que emoção, é o amor em acção.

Todas as coisas um dia vão passar. A fé, a esperança e o amor de Deus fazem-nos permanecer. O Amor é maior do que todas as coisas. O Amor venceu e vai continuar a vencer. O Amor é eterno.

08 novembro 2017

Saudações, saudades e afeições

"Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo" (Filipenses 1:8).

Na saudação que Paulo escreve aos seus irmãos que se reuniam em Filipos, sobressai a profunda gratidão e amor que o Apóstolo nutria por eles. Por causa dessas fortes afeições, Paulo perseverava na oração incessante. No meio das dificuldades estes crentes em Filipos defenderam e ajudaram Paulo e retribuíram com amor prático. Não é de estranhar, também por isso, que o Apóstolo estivesse cheio de saudades deles. Amava-os e sentia-se apoiado e amado. Lamentavelmente este amor e apoio mútuo nem sempre são uma realidade nos nossos dias. O mais importante, é que esta entranhada afeição que Paulo tinha pelos crentes, não tinha origem na sua alma ou no seu trabalho, brotava de Jesus Cristo. Que Deus também nos possa encher com as suas santas e entranháveis afeições.

05 setembro 2017

O amor de Deus é eterno

"Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Com amor eterno te amei; também com amável benignidade te atraí." (Jeremias 31:3).

O amor de Deus é eterno. O amor retratado em filmes, romances e séries, muitas vezes, é um tipo de amor momentâneo, passageiro e fugaz. No amor de Deus há firmeza e segurança. O seu amor é sempre leal e perene. Este afecto elevado que O Senhor nutre por nós, não acontece porque somos bons, bonitos ou desejáveis, Deus ama-nos porque é a essência do seu ser. Deus ama-nos e vem ao nosso encontro, procura-nos e atrai-nos: "com amável benignidade te atraí". O seu amor, a sua bondade e a sua misericórdia são manifestas em Cristo. A prova cabal do seu eterno amor e benignidade estão expressas em Cristo. Jesus Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8). Aquele que ama entrega-se. É tão maravilhoso saber que o nosso Deus, não só é o nosso criador, é também o nosso salvador e o amado da nossa alma. Deus ama-te! Com amor eterno.

04 agosto 2017

Morrer para nascer o amor

"E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele. Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão." (Génesis 2:18,20-21).

Foi o próprio Senhor Deus que constatou que não era bom o homem estar só, ou seja, sem um ser semelhante a ele. Deus diagnosticou a necessidade e providenciou a solução. O sono pesado de Adão é um símbolo da morte. Assim como Cristo precisou morrer para a Igreja nascer, Deus fez Adão adormecer profundamente para que Eva nascesse. Num certo sentido, Adão "morreu" para o seu amor nascesse.

A mulher nasceu da costela adâmica, o osso e a carne mais próximas do coração. A costela protege e envolve o coração, o centro das emoções. Adão devia amar e reconhecer o precioso valor da sua esposa e Eva devia igualmente amar e cuidar do seu marido. O casamento só faz sentido com estes pressupostos: Deus juntando, o casal cultivando o amor, o cuidado e mantendo a ajuda mútua. "Vós, maridos, amai a vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela." (Ef 5:25).

26 julho 2017

Quem ama, perdoa

"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição." (Colossenses 3:12-14)

O perdão nunca é fácil, mas é uma ordem divina para todos os que se dizem cristãos. Deus já deu o grande exemplo no que concerne a perdoar. Devemos perdoar porque Cristo já nos perdoou. Se Deus nos perdoou sendo nós tão miseravelmente pecadores, como é que nós ousamos não perdoar quem nos ofende? Quem ama perdoa. Ajuda se começarmos a orar para que Deus nos revista de mais compaixão, paciência, tolerância, humildade. Orar por aqueles que nos ofenderam. Orar por mais amor. O amor une todas as coisas. No capítulo dos relacionamentos, o amor e o perdão ligam o que está desligado. O perdão sara. O perdão liberta.